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Tubarões

GLOBO MAR ACOMPANHA PESCA INDUSTRIAL EM MAR ABERTO

O tempo não parecia ajudar: ondas de cinco metros de altura tornariam o transbordo, a passagem de um barco para outro, complicado. Após uma conversa com os comandantes dos navios, foi decidido adiar o embarque para depois da tempestade. Depois de cinco dias, o tempo melhorou e ficou mais ensolarado, mas continuou frio.

A equipe do Globo Mar saiu da cidade pelo Rio Itajaí Açu até o Atlântico. São três dias de viagem no Elias Seif, pesqueiro que pertence a uma das frotas de pesca mais modernas de Itajaí. Mas a pesca mesmo vai ficar por conta do Rei do Atum.

Para chegar até os melhores peixes, que nadam em águas profundas, é preciso navegar pelo menos 20 horas. O comandante do barco de apoio, Rogério Lima, explica que, dependendo do mês, determinada área tem mais peixe. Isso é mapeado, e a decisão para onde ir é do mestre do barco. Rogério também explica que a pesca reflete a demanda do mercado, não o que está disponível no mar: “É o que o mercado está comprando”, conta.

O princípio da pesca por espinhel é simples: são anzóis colocados ao longo de uma grande linha. Mas com algumas sofisticações, como um pequeno bastão que brilha e atrai os peixes. A cada 15 segundos, um apito avisa que é preciso colocar um anzol na linha. Depois de um tempo, está formado o espinhel, com 1.200 anzóis. A técnica foi introduzida no Brasil na década de 50 por japoneses a convite do governo brasileiro. Na década de 90, foi inovada por americanos: um enorme rolo passa a liberar a linha aos poucos no mar.

Quando o apito é duplo, um dos marinheiros sabe que é hora de colocar uma boia na linha, para ajudar a localizar o caminho na hora de voltar, no dia seguinte. Além das boias coloridas, são lançados marcadores especiais: as boias-rádio. Elas têm longas antenas e transmissores, que enviam ondas de rádio que dão a pista de onde a correnteza levou o equipamento. Depois de sete horas colocando isca na água, a linha é cortada e começa a espera. O espinhel trabalha sozinho.

Os pescadores querem pegar os tubarões grandes, como o tubarão azul. Na hora da captura, eles já cortam a cabeça, para ele sangrar e parar de se mexer. Depois, enfiam um longo espeto na coluna vertebral do animal.

Há um cálculo de que 70 milhões de tubarões são mortos ao longo do ano pelos mares do planeta, e os especialistas alertam que muitas espécies estão a ponto de desaparecer. Em muitos casos, eles nem vendem a carne, usada como alimento. O alvo é a barbatana, considerada um afrodisíaco na Ásia, onde ela é consumida em forma de sopa e demonstra status social. Em alguns lugares, a barbatana é mais consumida que a própria carne, e vale mais a pena jogar fora a carcaça do tubarão e ficar só com a parte que interessa.

No mercado internacional, a barbatana do tubarão alcança certa de US$ 100 por quilo. Já a carne, vale R$ 3,50 no mercado nacional. Para evitar a crueldade com o animal, a legislação brasileira obriga que, a cada cinco quilos de barbatana, a embarcação leve 95 quilos de charuto, que é o corpo do tubarão sem a cabeça e as vísceras. Como a fiscalização não dá conta de vigiar, em vários países, como nos Estados Unidos, a solução foi proibir a retirada da barbatana no barco. No Havaí, é proibido consumir a barbatana do tubarão